Uso, Acesso à informação e o apelo midiático

Posted on outubro 11, 2011 por

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Falar do uso e acesso à informação, para profissionais da área de ciência da informação, dá sempre muito “pano pra manga”.

Quem tem acesso às fontes de informações e aqueles que são responsáveis por sua disseminação, tem em suas mãos uma ferramenta de tamanho poder e que muitas vezes utilizam para fins comerciais. Esse uso não pode ser tido como “mercenário” ou que mereça críticas, afinal de contas, num mundo onde a informação, além de poder, é moeda de troca e de comercialização assim como toda e qualquer mercadoria.

Um exemplo simples para se ilustrar o que afirmo acima são as emissoras de (tele)comunicação, que vendem espaços publicitários em sua programação, se baseando na auto-credibilidade que acreditam ter em vista da influência que supostamente exercem em seus (tele)espectadores.

No final do mês de setembro desse ano, assisti uma reportagem da TV Record sobre a Paraíba, onde mostrou, claro, as belezas naturais do litoral, a praia de Tambaba, etc e tal, mas quando a reportagem adentrou o interior do Estado foi um desastre por cima de desastre.

Indicou a cidade de Campina Grande como situada no Sertão paraibano, onde na verdade é uma cidade que fica na região conhecida como “planalto da Borborema” sendo mais exatamente no Agreste do Estado.

Entrada de Campina Grande segundo a TV Record

Entrada de Campina Grande segundo a TV Record

A imagem que foi apresentada ao início da fala sobre a cidade foi a de uma estrada de terra batida, onde uma caminhonete passava e levantava poeira, dando a entender que o acesso à cidade, no sentido capital / interior, era dessa forma, quando na verdade o acesso a cidade é pela BR 230 que, diga-se de passagem, é duplicada e asfaltada.

Entrada de Campina Grande - BR 230

Entrada de Campina Grande - BR 230 - sentido João Pessoa / Campina

Se for listar todos os “absurdos” cometidos pela produção da reportagem, passaria horas digitando e você, caro leitor, a ler cansativamente.

Assim, relato apenas mais um absurdo, onde mostraram a “feira do troca-troca”, um local onde a moeda de troca é o próprio produto e o repórter comprou uma galinha viva por 2 reais, depois a trocou por por um relógio digital, depois por um relógio de ponteiros e finalmente por verduras. Referiram-se como sendo o a feira central da cidade.

Um fato interessante é que Campina Grande chega a ser mais populosa que a cidade histórica fluminense de Petrópolis que tem 296 044 habitantes enquanto Campina Grande registra 387 643 habitantes, segundo o IBGE (Fonte: IBGE, 2011)

Se a reportagem tivesse ao menos consultado o Google e a Wikipédia, apresentaria um conteúdo TOTALMENTE  diferente.

A falta de escrúpulos da reportagem em mostrar uma região rica, desenvolvida como uma área rural, com comércio totalmente informal e sem nenhum desenvolvimento econômico ficou nítido, mas apenas para quem conhece ou já pesquisou sobre a cidade e a região.

O apelo comercial da mídia em explorar e exibir apenas o que “querem” é uma forma de iludir e mentir para os (tele)espectadores, como também os anunciantes que pagam pelo espaço publicitário.

A informação tem que ser passada de forma fidedigna, isenta de pontos de vista, a não ser que se trate de uma autoridade no assunto.

Não sou jornalista, não sou paraibano. Sou um bibliotecário preocupado com o tipo de acesso e uso que se dá para a informação.

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Quem desejar, pode assistir a matéria na integra em http://noticias.r7.com/videos/praia-naturista-feira-de-troca-e-preguicas-na-praca-sao-curiosidades-da-paraiba/idmedia/4e7fc77bfc9b654c6cad5eb1.html