Uma viagem tranquila

Posted on dezembro 11, 2007 por

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Autor: Gustavo Nogueira 

Uma curta viagem, não mais que 200km., tudo vai bem em todas as poltronas.
Um dos passageiros é que não se sente bem, sente que essa viagem não será como as outras, ela terá algo de diferente.
Ele abre a janela e olha para o horizonte, usa um boné pardo, e começa a ver e a pensar em muitas coisas, e principalmente que a vida não é tão simples.
Os demais passageiros se incomodam com a janela aberta, pois o ônibus tem ar-condicionado, e reclamam que o equipamento não está funcionando como deveria, o que fazer?
Vários passageiros se irritam, inclusive eu.
O motorista é acionado, e vai até o nosso passageiro, que abriu a janela, pedindo para que feche, mas ele infelizmente não atende e ainda reclama dizendo que o ar-condicionado não presta.
Tendo que tomar as devidas providencias, vai até a frente do ônibus e volta armado, isso mesmo, uma arma de fogo e aponta para o passageiro da janela aberta, que repete que não irá fechar a janela.
Alguns passageiros se assustam com o som estridente que vem da poltrona 32, um som alto, que incomoda os ouvidos.
A janela é fechada, o passageiro deita no banco ao lado. Todos voltam a sentir o frescor proporcionado pelo equipamento do veículo. O ar condicionado volta a funcionar.
Um grupo de três estudantes conversam e discutem sobre o ocorrido e chegam a conclusão que realmente foi necessário, afinal ele estava impedindo que os demais pudessem ter uma viagem de qualidade, com conforto, afinal, são 12:25, um horário realmente quente.
Um rastro de sangue se forma entre a poltrona 32 e o chão, logo irá a se transformar numa verdadeira possa.
A viagem segue tranqüila, sem ninguém contrariado, ao contrario, todos felizes por estar já bem próximo do seu destino.
Os canaviais passam pela janela, é possível ver ao horizonte uma usina de cana de açúcar. O passageiro da poltrona 32 poderia estar vendo toda essa beleza, vendo o quanto a vida e o mundo são belos, mas optou por abrir a janela. Que pena.
A viagem termina, famílias se reencontram, casais apaixonados trocam abraços e beijos, crianças recebem seus pais aos gritos e abraços de tanta felicidade.
Mas o passageiro da poltrona 32 irá para a gaveta e depois para o chão, fazer sua ultima viagem, e nessa eu tenho certeza, ele não abrirá janela alguma e levará como recordação um pequeno objeto de metal dentro de sua cabeça.

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