Ao som da chuva…

Posted on dezembro 10, 2007 por

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Autor: Gustavo Nogueira 

A caminho do aeroporto da Pampulha, me vejo em um pequeno engarrafamento, coisa rara para uma manhã de domingo. Não sei o que se passa mais à frente, se algum acidente de trânsito ou alguma manifestação popular.

O que realmente chamou minha atenção, foi um jovem casal, chegando de mansinho em um pequeno morro, gramado e com algumas árvores. O tempo está frio, ela uma negra bonita, pernas torneadas, jeans e moletom cinza que não deixam ver mais de suas formas. Ele um moreno alto, de bermuda jeans e camiseta branca.

A distância não me permite ouvir o que conversam, mas parecem conversar timidamente. Me pergunto se estão discutindo, se estão apenas conversando, se estão partindo ou se reencontrando.

Uma leve garoa começa a cair, eles vão para debaixo de uma árvore de pouca copa, sobra um espaço mínimo para se abrigarem da chuva, mas lá eles ficam.

Seus corpos parecem querer ficar cada vez mais juntos…
[Biiiiiiiiiiiii]
O motorista do carro logo atrás de mim buzina, não percebi que o trânsito tinha adiantado alguns metros.

Volto a olhar para o casal, eles já estão em um beijo que contrasta com o frio do tempo, a temperatura entre eles parece ser totalmente inversa a chuva que agora já cai e faz mais barulho no teto do automóvel. As mãos de ambos se misturavam com os cabelos do outro, as bocas não se separavam, apenas seus labios deslizavam nos do outro. Pareciam se deliciar com o toque e o sabor da quele momento, como se fosse único ou último, não sei.

O olhar ente eles não me parece ser de apaixonados, mas sim, de um casal sedento de desejo, de cobiça pelo corpo do outro.
Em outro beijo demorado eles se envolvem, e descem pelo gramado que servia de cenário.
Não estão de mãos dadas, apenas um ao lado do outro.
Encontram alguns amigos logo em seguida, e somem andando entre os carros.
Algo me diz que logo em breve eles voltaram a se encontrar, mas em algum lugar bem mais reservado que uma “sombra” de arvore e que também não terão as gostas de chuva deslizando em seus rostos, molhando mais ainda seus beijos.
Viajei com essa imagem na cabeça e com a curiosidade em saber o que eles eram, deixaram ou passaram a ser.

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Para esse post vo ficar devendo a foto. Mas em Alguma arte digital tem novidade.

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